[Coluna] Gina Weasley dos livros para os filmes


22/12/2015

Ginevra Molly Weasley é uma personagem muito questionada ao longo da saga Harry Potter, mesmo sendo irmã de Ron e, futuramente, esposa de Harry. Interpretada por Bonnie Wright nos cinemas, Gina - como é conhecida - é uma daquelas personagens que mantem uma relação de amor e ódio com os fãs. Apresentada em Pedra Filosofal e desenvolvida em Câmara Secreta, a única Wesley mulher nas últimas 7 gerações da família bruxa adquire caráter importante ao longo do tempo, principalmente nos livros.

Começamos nossa análise com os relatos de Câmara Secreta. No segundo livro da saga, Gina já se demonstra forte e imponente: mesmo envergonhada com a presença de Harry, Gina desafia Malfoy na Floreio e Borrões. É nesse livro que a pequena Weasley tem sua mente invadida, através de um diário, por Tom Riddle (Eis Lord Voldemort). Até aí, as adaptações cinematográficas foram fiéis à personalidade dela: ainda jovem, mas já bem decidida e com um caráter destacado. A partir desse momento, Gina tem poucos momentos de estrelato nas duas mídias, aparecendo pouquíssimas vezes com destaque até Ordem da Fênix.


É aqui que destacarei, na minha opinião, um dos grandes erros das adaptações a partir de Cálice de Fogo: a omissão da personalidade de algumas personagens. Explico: no quinto livro da saga, a imponência e vivacidade de Gina são reveladas, o que até me surpreendeu, pois, até Ordem da Fênix, não tinha me dedicado a observar a irmã de Rony. E o que me chamou atenção? A simplicidade e vividez da personagem. Mesmo ciente do envolvimento (ou não) entre Harry e Cho Chang, Gina aparece como uma das lideranças da Armada de Dumbledore e uma das combatentes da Batalha do Departamento de Mistérios. Além disso, começa a se descobrir amorosamente e se desapegar do bobalhão apaixonado chamado Harry Potter, envolvendo-se com Miguel Corner (terminando com ele por causa de quadribol) e Dino Thomas. 

Claro que não poderia deixar de destacar os talentos que Gina apresenta para nós durante a leitura do livro mais longo da saga. Além de se mostrar uma bruxa com ótima qualificação mágica, principalmente em Feitiços, destacando-se durante os encontros da Armada, Gina substitui ninguém menos que Harry Potter como apanhadora da Grifinória quando O Menino que Sobreviveu foi proibido de jogar pela Cara de Sapa (ou Dolores Umbrigde, como preferir). E mais: Gina se demonstra, apesar de durona, uma pessoa com uma capacidade de entender o problema dos outros. Percebemos isso quando Harry, em suas "crises de indecisão e mau humor" é confortado por Gina, sendo ela a única que consegue acalmar o nosso Cicatriz.


E, finalmente, Enigma do Príncipe. Sem dúvida, o livro que todos os fãs tiveram oportunidade de ter um contato maior com Gina Weasley. Infelizmente, esse contato não se refletiu nos filmes. Entre muitas omissões e cortes no filme, a personagem interpretada por Bonnie sofreu uma verdadeira mudança em comparação com os livros: se tornou hesitante, omissa, pouco ativa e insossa. Em uma adaptação onde Gina teria destaque pela forte personalidade e figura feminina corajosa, o oposto aconteceu. Em termos de adaptação (e de gosto), considero Enigma do Príncipe o pior filme da saga. E a perda total da personagem parceira de Harry tem a ver com isso. No livro, Gina assume um papel essencial, não só no ciclo emocional de Harry, mas também na escola como um todo: se consolida no time de quadribol, realiza seus N.O.M.s., aumenta seu ciclo de amizades e muito mais. 

No final do livro, Gina assume a posição de uma mulher madura: aceita o fato de Harry ter de terminar com ela, para que não fosse atingida. Não é por isso que se faz de coitada e se dá por vencida, como observamos no livro seguinte. Como todo o plot de caçar horcruxes e tudo mais, relações amorosas acabam ficando um pouco de lado. Porém Gina, mais uma vez, nos surpreende, não só com sua iniciativa de beijar Harry nas férias, mas também de liderar uma resistência anti Comensais da Morte quando estes tomam conta do castelo, mesmo com torturas e ameaças frequentes. 

Enfim, queria deixar claro que não considero a perda quase total da personagem culpa da Bonnie. Ela é uma atriz e, mesmo não tendo um exímio talento, foi mal dirigida. Afinal, existe uma grande diferença entre uma personagem corajosa, ativa e com personalidade e uma simples coadjuvante amarradora de cadarços...

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