[Coluna] Preconceito: A mensagem social em Harry Potter


02/02/2016

Harry Potter é conhecido, não só pela sua história única e personagens envolventes, mas também pela sua temática e/ou assuntos que trata. Durante seus 7 livros e 8 filmes, Harry Potter sempre tratou de temas políticos e sociais com muita abertura. Porém, parece que grande parte das pessoas que não têm um contato mais íntimo com a narrativa acaba por se equivocarem e pensam na saga como uma simples história de magia. Esse pensamento se torna presente, principalmente, quando se trata do público adulto.

A vaga idéia de que Harry Potter é exclusivo para o público infanto-juvenil se mostra ultrapassada quando, em diversos momentos durante sua narrativa, assuntos de extrema delicadeza ou simplesmente algumas críticas da autora a comportamentos banais que temos no nosso dia a dia são tratados por JK.  E esses momentos são inúmeros. Nessa Coluna, buscarei listar alguns destes e sanar por vez qualquer dúvida em relação à finalidade da saga.

Começaremos pela principal crítica da saga: a finalidade de toda a maldade de Lord Voldemort. Considerado o maior antagonista da história e um dos bruxos mais perversos de todos os tempos – apesar de alguns insistirem que Dolores Umbridge ganha facilmente esse título – Riddle é um espelho de um dos maiores preconceitos (e um dos mais idiotas) presentes na sociedade atual: o julgamento das personalidades das pessoas de acordo com uma característica física ou de descendência. Aqui, podemos estabelecer uma comparação entre a filosofia de Voldemort e a filosofia de Hittler. Explico: Hittler assassinou judeus e todos os que não se enquadravam na sua concepção de “ser superior”, assim como Voldemort inicia duas Grandes Guerras pelo mesmo motivo, trocando a raça ariana pelos “sangue-puro”. Uma minoria de alto poderio econômico que se considera superior por conta de pertencer a uma família (ou ter determinada cor de pele). Esse absurdo característico de Voldemort e seus Comensais é um reflexo ímpar de nossa sociedade.

Além disso, podemos citar diversas outras críticas que ficam em segundo plano, mas sem deixar de ter importância e relevância no contexto da história. Uma delas é a gritante implicância de Draco e seu pai com a condição econômica dos Weasley. Obviamente, pelo fato de ser uma família muito grande e com pouca arrecadação financeira, já que, de início, só o Sr. Weasley trabalha, é natural que a família encontre certas dificuldades. Esse problema é ridicularizado de duas formas diferentes: primeiro por Malfoy, julgando Ron pelo fato de pertencer a família e por Harry, que fica completamente fascinado com a Toca e seu jeito simples e torto. Ou seja, enquanto um ridiculariza a pessoa, o outro ridiculariza o fato em si e nos mostra o quanto isso é irrelevante na escolha de uma amizade.

Por fim, esses são só alguns dos esteriótipos quebrados na saga. O clássico “menino gordo e lerdo” é a representação de Neville que, por fim, tem uma importância extrema no fim de tudo e se mostra muito corajoso – quem não se lebra do clássico encerramento de Pedra Filosofal quando Dumbledore rouba *cof* concede alguns pontos para a Grifinória. Podemos ir além: o afastamento do ciclo de amizades de Luna Lovegood, pelo seu jeito “estranho”. Quando uma chance é dada, Luna se mostra uma ótima amiga. Enfim, Harry Potter se mostra uma ótima experiência como educação de crianças e reeducação de adultos. O menino franzino, de óculos quebrado e cabelo despenteado ensina a muito marmanjo por aí... 


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