'Você não quer ser um extra famoso. Você quer ser um bom.' Diz a correspondente Pottermore.

Escrito por: Karon Gravina e Bernardo Costa
Tradução: Bernardo Costa
Fonte: Pottermore

03/02/16

Os únicos "figurantes" conhecidos são os que cometeram erros épicos enquanto as câmeras estavam filmando-o: o Stormtrooper que bateu a cabeça em uma porta, em uma cena de Uma Nova Esperança. A criança que cobriu os ouvidos antes do tiro em Intriga Internacional. O cara que varreu centímetros acima do chão em 007 - Quantum of Solace. E o idiota corajoso que arremessou uma lata de cerveja na cabeça de John Malkovich em Quero Ser John Malkovich.

Extras ficcionais não são muito melhores: Ricky Gervais como um fracasso nada legal em seu show. Há uma esquete recorrente de French & Saunders, onde dois extras arruínam todas as cenas em que eles estão; e na cena de abertura de Um convidado bem trapalhão, na qual ele explode todo o set.

O trabalho de um extra é se misturar no fundo da ação e isso torna muito fácil subestimá-los. Mas não foi isso que eu vi no set de Animais Fantásticos e Onde Habitam.

O que eu vi foi uma sociedade secreta de pessoas que não conseguem viver sem filmes. Eles são apaixonados por isso, e não são diferentes de ninguém que trabalha nesse ramo: Eles trabalham muito, passam horas confusas em salas de espera dia após dias, com a fantasia completa, tudo pela chance de ser parte da magia.

Francamente, eu acho que eles são heróis não reconhecidos, no mundo do cinema.

Eles também são um grupo fascinante, se você conversar. Especialmente os extras de carreira: as pessoas que estão nisso por décadas e amam isso como se fosse seu primeiro dia. É encantador.

Disfarçar-me de extra foi basicamente como conduzir meu próprio estudo da natureza humana. O maior experimento social em um set: coloque 100 pessoas diferentes em roupas dos anos 20, maquiados e penteados, confisque toda a tecnologia, forneça biscoitos, deixe-os em uma tenda gigante por horas e veja o que eles fazem.

É como Survivor: The Movie Set Edition; alianças são formadas e quebradas, inimigos são feitos, romances começam, rixas começaram entre homens carecas parecidos, pelo papel de Homem Careca Número Quatro. Pessoas falam. Elas debatem. Elas contam histórias extravagantes sobre a vez em que Harrison Ford roçou em seus braços.

Eles se dividem em diferentes tribos: Os cabeças. Os leitores. Os fofoqueiros. Os que fazem tricô. Os que fazem palavras-cruzadas. Os jogadores de cartas. Os professores espontâneos de yoga. Os viciados em salgadinho. Os atores muito sérios, praticando sotaques que eles nunca vão usar no filme.

Em Animais Fantásticos, havia uma piloto de helicóptero militar aposentada, tricotando um pulôver entre as cenas em que ela fazia uma garçonete que servia Colin Farrell. Havia um ciclista aposentado, que passou por uma experiência de quase-morte seis anos atrás e agora preza apenas sua família, saúde e filmes. Um ilustrador desenhando rostos em um caderno, o americano que leu Guerra e Paz inteiro no ultimo filme em que ele trabalhou, e as duas mulheres mais elegantes que já vi, ambas em roupas dos anos 20 e com pelo menos 80 anos de idade.

O que estou dizendo é: sim, ser um extra é ficar muito tempo em pé, sentado, andando, fingir uma conversa ou má refeição nos fundos de uma cena. E sim, é uma agonia cara se alguém arruína uma única cena ou fica com neve falsa nas costas de seu terno caro.

Mas uma das grandes coisas que aprendi durante o meu lindo tempo no set desse filme foi: filmes não são feitos sem os pouco conhecidos e atraentes extras. 

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