[Coluna] O Mundo Bruxo é gigante!

26/03/2016 Escrito por: Cleysson Costa


Desde aquela gélida noite do dia 15 de julho de 2011, um vazio imenso reinava no coração dos fãs da magia bruxa. Parte desse vazio foi preenchido, sem dúvida, com o anúncio de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Agora, vivemos uma época de fartura: acompanhamos, em tempo real, o Mundo Mágico se consolidar como uma das maiores sagas da história. Veja: não que eu não considerasse Harry Potter um conteúdo épico. Inquestionavelmente, no cinema ou nos livros, nós, potterheads, temos o orgulho de afirmar nossa saga é um sucesso. Porém, o que J.K. nos proporciona através desses contos é algo além do já éramos. Por meio desse conteúdo, percebemos a dimensão dos problemas e das decisões do mundo bruxo em escala global.

Historicamente falando, o primeiro conto é um dos mais importantes. Explico: essa narração é a demonstração perfeita de como o mundo bruxo estava à frente, ideologicamente falando, dos grupos trouxas europeus. A descoberta de terras na América acorreu por volta do século XV. Apesar disso, o conto deixa claro que a comunidade bruxa já sabia da existência de terras e de vida do outro lado do continente. Indo mais fundo, percebemos a valorização da cultura indígena através dos bruxos xamãs. Diferente do pensamento etnocêntrico, o índio é admirado como o talentoso que é. Suas habilidades mágicas são lembradas, destacadas e eu diria até mesmo inspirações para o estilo de magia conhecido hoje.

O segundo e terceiro conto são bem curiosos. Os Purgantes são um reflexo de uma sociedade mercantilista. De acordo com esse sistema econômico, o metalismo (acumulação de bens e metais preciosos) era a principal forma de demonstração de poder e, por isso, esses bruxos cometiam atrocidades em nome do ouro. Salém, outro episódio bem conhecido, é apresentado como um “divisor de águas” para o mundo bruxo, já que serviu para incentivar uma maior organização bruxa em relação ao mundo trouxa. Isso tudo foi acentuado com o caso Dorcas, relatado no terceiro conto, que resultou na Lei Rappaport. Esta estabelecia punições severas a quem descumprisse os decretos de não interação entre no-maj e mágico. Algo que interfere diretamente na saga de Harry Potter, que se passa quase 100 anos depois.

O último e mais interessante (na minha opinião) relata um momento desastroso da humanidade. Aqui, J.K. se demonstra uma grande conhecedora de história. Nos anos de 1920, pós-conflitos denominados Primeira Guerra Mundial, conseguimos observar os reflexos das ideologias bélicas na América bruxa. Em um período de grande avanço armamentista, o Mundo Mágico (que também se envolveu na Guerra), se encontrou muito envolvido com as ideologias do momento. Junto às armas de fogo, bombas e veículos de guerra, o desenvolvimento de um objeto em especial mudaria o mundo bruxo: a varinha. As famílias predominantes na América e seus estilos de fabricação mostram a grande influência que a varinha tinha na época, junto à pólvora para os trouxas.

Por fim, espero que tenha conseguido expressar o quão importantes foram esses contos para o universo bruxo. Por meio de leituras simples, estudadas e até mesmo divertidas, conseguimos mergulhar dentro da vastidão dessa saga que tanto amamos. Através desses contos, vimos que Harry Potter e seu conflito com Lord Voldemort são apenas “a agulha no palheiro”; soubemos da importância cultural dos índios bruxos; descobrimos as consequências do descumprimento das leis que regem a sociedade mágica; percebemos que os acontecimentos e ideologias dos trouxas estão diretamente ligados à história bruxa; e o mais curioso: adquirimos o conhecimento de que a birita – essa sim – é inegociável.

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