[Coluna] O Erro e suas consequências







08/05/2016 
Escrito por: C. Costa

Desde 1997, convivemos com as aventuras de Harry. A partir desse ano, acompanharemos a jornada de Newt Scamander, o magizoologista que já ganhou o coração de muitos Potterheads. Contudo, independente da personagem, do ano e da estória contada, algo sempre acompanhou as narrativas do Mundo Bruxo: o erro. O ato de falhar é uma das principais razões para os acontecimentos e desenrolar das tramas escritas por JK. Apesar de muitos ainda afirmarem de forma ignorante, essa coluna será mais uma prova de que a saga Harry Potter não é infantil. As consequências dos erros das personagens na sequência da trama são facilmente observadas e muito destacadas pela escritora.

De início, Pedra Filosofal mostra um Harry tendo seu primeiro contato com as consequências de seus atos (positivos ou negativos). Apesar de passar uma ideia de “vítima” (já que ele não escolhe seu destino e tem que aprender a conviver com o fato de os pais estarem mortos), Harry Potter já se demonstra um verdadeiro homem – disposto a erros e acertos. Seu interesse em desvendar o enigma instaurado em primeira instância no livro é a prova disso. Porém, o que mais se destaca na trama é o Espelho de Ojesed. O peso do desejo e a responsabilidade que Harry tem no final, em seu confronto com Quirrell/Voldemort são um reflexo (sem trocadilho) do significado do espelho para um jovem que, até então, tinha uma vida com pouca emoção e/ou responsabilidade.

Em Câmara Secreta, JK escreve sobre uma nova faceta do erro: a justiça. Intimamente ligados, a realização da justiça é uma resposta direta a um erro de maiores proporções. Pois bem: Harry, durante quase todo o livro, é acusado de cometer crimes hediondos e inumanos, mesmo que se apresentem pouquíssimas provas contundentes para isso: ele estava no lugar errado e na hora errada. O mesmo parece acontecer com Sirius Black - anos preso por um crime que não cometeu, como observamos em Prisioneiro de Azkaban. Aqui, destaque especial para o que acontece com alguém que não sofre a consequência de seus atos: Pedro Pettigrew se torna repulsivo, covarde e completamente asqueroso.

Através de Cálice de Fogo, JK nos apresenta as escolhas. A preparação, o esforço, a dedicação e uma pitada de sorte: as realizações dependem de nossas escolhas e decisões ao longo do tempo. Tudo isso eclode num ato final medonho: a volta do Lorde das Trevas. Em Ordem da Fênix, mais uma vez, o jovem (e quase adulto) Harry sofre com as consequências de falar a verdade. Esta, parece-me sempre inimiga do erro. Pettigrew, vivendo dentro da mentira que era Perebas, é o principal oposto a Harry (não como vilão, mas como personalidade). Enigma é mais um golpe duro: novamente, ele sofre consequências de algo que não fez. A morte de Dumbledore significa mais uma intempérie da vida que surge para o Menino que Sobreviveu.

Relíquias é um resumo de todo o resto. Relacionamento amoroso, fidelidade, casamento, amizade, guerra e Dobby: tudo isso sofrendo consequências dos erros diretos e indiretos de terceiros. Independente de qualquer coisa, no final percebemos que o primeiro e maior erro de toda a saga, não foi a covardia de Pettigrew, a condenação de Sirius, a morte dos pais de Harry ou a suposta traição de Snape. No fim de tudo, o principal erro foi Tom Riddle. O bruxo das Trevas acabou por cometer o maior desvio que um ser humano (aqui, ironicamente, uso o termo “ser humano” para aproximar trouxas e bruxos – para agonia de Voldemort)já cogitou cometer: ele desafiou a morte. Tentar driblar o inevitável, mudar o intangível e se eternizar como vivo fez com que Riddle perdesse o caminho de volta para qualquer erro cometido pelo homem: o amor. Ele (e só ele) perdoa e acolhe, impedindo que nos tornemos pessoas covardes, ignorantes e de alma dividida.

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