JK Rowling fala sobre 'The Cursed Child', o foco em Alvo Potter, racismo e mais...

05/06/2016  Escrito por: Brunno Maia, Karon Gravina
Tradução: Brunno Maia
Fonte: snitchseeker.com

J.K. Rowling deu uma interessante entrevista onde comenta Cursed Child, seu interesse por Alvo Potter, e a reação das pessoas á escolha de Noma Dumezweni como Hermione. 
“O epílogo do sétimo livro mostra muito claramente aonde eu estava interessada em ir. É muito óbvio por aquele epílogo que o personagem que eu estava mais interessada era Alvo Severo Potter. E você vê Scorpius na plataforma.”

“Eu estive acordada desde 4am. Estávamos no teatro na noite passada e eu vi uma cena que tocou meu coração, no figurino, no set, e foi incrível.”

“Você provavelmente pode imaginar que me pedem para fazer mais alguma coisa com Harry Potter cinco vezes por semana desde que a série acabou. Sonia [Friedman, produtora] queria explorar uma produção teatral, e eu a conhecia por sua reputação obviamente, e pensei que adoraria encontra-la para ouvir o que ela tem a dizer.”

“Jack [Thorne, autor da peça] e eu temos muitas similaridades. Nós dois, apesar de estarmos muito animados aqui agora, somos pessoas um tanto introvertidas que se sentem felizes estando sozinhas, e há muitos paralelos  em nossas práticas de trabalho, eu senti que ele era da minha tribo.”

“As coisas que Jack diz... é por isso que ele é o homem certo para o trabalho, porque ele o entende. É a escolha perfeita. A grande razão pela qual as pessoas amavam Potter era porque você sentia que poderia ser, que poderia haver mais nesse mundo. Bem do outro lado. Á distância de um toque. Há mais. É a promessa de outro mundo e não precisa ser mágico mas para uma criança solitária ou uma pessoa insegura ou qualquer um que se sinta diferente e isolado, a ideia de ter um lugar a qual você pertence é tudo.”

Ficou claro que Harry Potter nunca a deixou “Ele tinha 17 anos e só porque eu parei na página não significa que minha imaginação parou,” ela diz. “É como correr em uma longa corrida. Você não pode simplesmente parar na linha de chegada. Eu tinha material, ideias e temas, e nós três [ela faz um gesto na direção de Tiffany e Thorne] fizemos a história.”

Já faz quase uma década desde que ela tocou a caneta no papel para escrever o último livro da sequencia. “Mas eu carrego aquele mundo na minha cabeça o tempo todo,” ela reconhece. “Eu nunca vou desgostar daquele mundo. Eu o amo. Mas há outros mundos nas quais eu também quero viver. Pra ser perfeitamente honesta, eu só sinto que se eu gostar, eu farei, e se não gostar, não farei.”

De fato, com a peça e o roteiro, 2016 acabou sendo o que ela descreve como “um ano mágico”. “Eu sempre disse ‘nunca diga nunca’, e a razão para eu dizer isso é que eu tinha sim esse resíduo em minha cabeça em ambas as direções – em Animais Fantásticos, onde voltamos no tempo, e na peça, onde avançamos nele. Então eu ainda tenho esse material em mente.”

“Eu era constantemente questionada se eu ia fazer um musical e eu não gosto de musicais,” ela diz com uma careta. “Teatro, por outro lado, eu amo. Eu acho que é um mundo sedutor – não há nada como ver um ator performando ao vivo. Mas eu nunca tive nenhuma proposta que me empolgasse tanto assim.”

“Eu acho que, como uma experiencia teatral, como uma peça, será diferente de tudo que as pessoas já viram. E quando elas tiverem essa experiencia teatral, elas vão entender porque esse era o meio perfeito para a historia.”

Sobre a escolha de Noma Dumezweni como Hermione Granger e as reações ao redor do mundo:
“Com minha experiencia em mídias sociais, eu pensei que idiotas seriam idiotas,” ela diz. “Mas o que se pode dizer? É assim que o mundo é. Noma foi escolhida porque ela era a melhor atriz para o trabalho. Quando Jhon me disse que seria ela, eu disse ‘Oh, fabuloso’ porque eu a vi em uma oficina e ela foi fabulosa.”

“Muitos racistas me diziam que porque Hermione ‘ficou branca’ – ou seja, perdeu a cor do rosto por uma situação de choque – ela devia ser uma mulher branca, coisa que me deu um pouco de trabalho. Mas eu decidi não fazer muito alarde e simplesmente afirmar com firmeza que Hermione pode ser uma mulher negra com minha benção absoluta e entusiasmo.”

“Eu já passei por isso várias vezes,” diz Rowling. “E espero que cheguemos lá sem muitos spoilers, puramente porque as pessoas terão uma experiencia incrível se não souberem o que esperar.”

“Generalizando, fãs de Harry Potter são uma comunidade, eles se apoiam, e eles querem ter esse mistério e o senso de surpresa. Então estamos esperançosos. Mas não vai ser o fim do mundo, em absoluto. Não vamos ficar irritados com isso mas esperamos pelo bem do público que possamos chegar lá.”

Publicação original, em inglês, aqui. 

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