O correspondente Pottermore entrevista o lendário designer de produção: Stuart Craig.

13/10
Fonte: Pottermore
Tradução: Bernardo Costa


O correspondente do Pottermore conversa com o designer Stuart Craig sobre Animais Fantásticos e como a fantasia de J.K. Rowling é um “presente fantástico”.

Stuart Craig é um dos designers mais admirados na industria cinematográfica. Pessoas raramente falam seu nome em um tom normal; na maioria das vezes, elas sussurram. Até os designers que trabalharam com ele baixam suas vozes, como uma reverência. Eu conto isso a ele quando nos encontramos um dia no set de Animais Fantasticos e Onde Habitam. Sera que ele sabe que as pessoas sussurram sobre ele?

“Bom, essa é uma das únicas coisas boas sobre ficar velho, não é?”, ele diz, com uma risada. “As pessoas te tratam diferente”

Stuart Craig, designer de produção, com o modelo do castelo de Hogwarts na Warner Bros. Studio Tour London


Com 74 anos, Stuart conquistou todo o respeito que ele recebe. Sua ilustre carreira inclui trabalhos em The Elephant Man, Dangerous Liaisons, The English Patient e Gandhi. Mas nos últimos 16 anos, seu foco tem sido o mundo de Harry Potter.

“Desde 2000 tem sido Harry Potter”, ele diz. “Nós fizemos oito filmes em dez anos... Tem sido o período mais maravilhoso da minha vida.”

Stuart estava decorando um quarto em preparação para o aniversário de seu neto quando ele recebeu uma chamada pedindo para que voasse até a América e se encontrasse com Chris Columbus, o diretor de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Quando Stuart se envolveu com os filmes, seu neto tinha 11 anos e eles viram Harry Potter e as Relíquias da Morte juntos.

Queenie Goldstein e Jacob Kowalski no bar clandestino Blind Pig.


Desde 2010, Stuart tem um envolvimento pesado no trabalho de design no Warner Bros. Studio Tour London e no Wizarding World of Harry Potter nos EUA.

Quando nos encontramos, Stuart estava no set do próximo filme de J.K. Rowling e seu primeiro roteiro. “Aqui estou eu de novo! Eu estava ansioso para voltar”, ele diz, com um sorriso crescendo.

“Para esse filme você começa essencialmente na mesma premissa dos Potters: o mundo mágico escondido do mundo trouxa; invisível, um do outro. É a mesma premissa, mas maravilhosamente diferente. Para um estudante de arquitetura, como eu, é fantástico criar uma seção de Nova Iorque dessa maneira levemente romântica, exagerada.”


Arquitetura tem sido uma devoção de vida para Stuart. Ele começou sua vida profissional como desenhista de estruturas, trabalhando em esboços por 12 anos, antes de aterrissar em um set. Ele nunca abriu mão daquela técnica; até hoje, Stuart projeta os sets, as salas, os prédios e as locações com um esboço em lápis, seguido por meticulosos desenhos arquitetônicos. Depois disso, ele envia o design para artistas polirem, antes de eles serem enviados para o filme.

“Hoje em dia, a chave é que todos os filmes têm ilustradores conceituais. No nosso caso, o fato de estarmos trabalhando com alguns artistas muito bons é muito significante. Eu digo, alguns desses caras desenham como Leonardo, ou Rafael. Eles são ilustradores abençoados e esse é o detalhe para conseguir o detalhe e a escala, de uma minúscula criatura para um grande pedaço de arquitetura. Fomos muito sortudos em recrutá-los e valeu a pena, como você pode ver nas imagens”, diz Stuart, com uma grande cruzada de braço.

Newt Scamander e Tina Goldstein no MACUSA.


Atrás de mim, todo pedaço do papel de parede está coberto por designs do filme. Em uma parede, tem o exterior e o porão do MACUSA, o interior do The Blind Pig e o exterior dos blocos de apartamentos de Nova Iorque. Na outra, tem cenas de todos os animais que aparecem no filme.

Isso tudo está dentro do território de Stuart como designer; o grandioso e o minúsculo, o inanimado e o vivo. É extraordinário olhar para um trabalho como esse. É como olhar na imaginação de J.K. Rowling, com um guia muito experiente.

“A coisa que me surpreende é a variedade. Eu nunca, nunca me sinto preso. Sempre há algo novo e desafiador. Isso certamente tem mantido meu conteúdo profissional... Bom, não o conteúdo exatamente – Eu fiquei preocupado muitas vezes, olhando para uma folha em branco e pensando, “O que diabos eu vou fazer com isso?” Esse tipo de medo nunca te abandona. Mas tem sido muito sustentável. A constante conquista de J.K. Rowling tem sido fazer cada novo livro levemente diferente. Sem dúvidas, debaixo d’água ou em qualquer lugar, ela sempre nos desafiou.”

Quando Stuart diz debaixo d’água, ele está se referindo à segunda tarefa do Torneio Tribruxo em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Ele desenhou enormes estruturas para que os estudantes e professores pudessem ficar durante a tarefa, assim como as criaturas abaixo da superfície do Grande Lago. Em comparação, a missão de recriar Nova Iorque deveria ser fácil, não?

Tina Goldstein e Newt Scamander no saguão do MACUSA


“De certo modo, a diferença não é significante. Design é design”, me conta, Stuart. “Não importa se é ficção cientifica, fantasia ou drama, você ainda esta procurando um bom cenário. A variedade arquitetônica em minha carreira tem sido legal, mas eu não vejo uma mudança significativa de The English Patient para Harry Potter ou Animais Fantásticos.”

“O que eu gosto sobre filmes de fantasia é que você constrói mais (no estúdio) e filma menos em locações por causa do elemento fantástico. Eu gosto de construir; Eu gosto de ter o controle quando estou escolhendo tudo. Em uma locação, não é assim. Locações são cheias de coisas que você gostaria que não estivessem ali. Então, nesse sentido, a fantasia de J.K. Rowling é um presente. Um presente fantástico”

Apartamento das irmãs Tina e Queenie Goldstein.


Publicação original, em inglês, aqui. 


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